segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sapos...

   Nossa...quanto tempo levei para postar!
   Finalmente senti  vontade de escrever,mas não sobre trabalho,como havia citado   anteriormente.
   É que existem “coisas do cotidiano” que,muitas vezes,prefiro calar para não dar mais importância  do que,de fato,devem ter. Mas já não sei até que ponto deixar de dar importância a algo faz com que isso incomode menos,ou deixe de existir,como uma mágica.
   Às vezes penso que ocorre o contrário...
   Estou falando do bom e velho sapo que aprendemos, desde os tempos “de vovó gostosa”, a engolir.
   “Aprendemos” não é exatamente o termo...
   Será que realmente existe alguém que nunca tenha contado até 10 para não mandar seu chefe (que muitas vezes sabe bem menos que você) para a m.......,por exemplo?
   Ou alguém que realmente utilize a tática do “entrar por um ouvido,sair pelo outro”,todo o tempo ?
   Particularmente, embora tenha engolido alguns sapos ao longo de minha vida, jamais aprendi  a digeri-los,e confesso já ter tentado de tudo,mas eles sempre me sobem pela garganta.E o pior,os pobres anfíbios parecem adormecer dentro de mim,mas basta um novo companheiro chegar,para que os mesmos saltem alvoroçados,provocando aquele nó na garganta e aquela acidez no estômago que,as vezes, se tornam tão fortes que dá vontade de socar a parede .
   Ultimamente tenho engolido uma série de sapinhos, tantos que me preocupo com a possibilidade de que a espécie entre em extinção.E,por essa razão,tenho pensado no que fazer para mudar essa situação.
   Surpreendentemente, não encontrei a solução em nenhum guia de Hogwarts, nem o Mestre dos Magos, gênio da lâmpada... realmente, não há como contar com a ficção.
   Aí, me lembrei do dia da minha formatura da faculdade (4 anos depois),e daquele juramento feito para emocionar as famílias sentadas nos olhando...e uma palavra resumia tudo o que teríamos que fazer pelo resto de nossas vidas: educar.
   Educar...educação! É isso ...a palavra mágica,a senha secreta,a chave...o código!
   Mas é nesse ponto que a dificuldade começa...
   O que é educação?
   Educação é conhecimento...mas não é só isso!
   O problema é que cada ser humano cresce em uma família, em uma micro sociedade, com valores e conceitos próprios, que não me cabe julgar se corretos ou não.
   Mas a questão é o que fazer com essa educação,com essa etiqueta...
   Aí,um dia,você encontra outras pessoas,diferentes, que,em alguns pontos,talvez tenham recebido a mesma educação que você.Mas em outros,não, e  não é porque suas famílias não tinham ou não lhe deram educação,mas simplesmente porque seres humanos são complexos, com personalidades próprias, e foi,no momento em que pensei nisso, que entendi onde estava o meu erro, ao tentar entender tudo isso: a palavra mágica não era educação, era RESPEITO.
   Mas será que o respeito não está implícito na educação?
   Teoricamente sim... mas o problema é a linha frágil que divide educação e etiqueta,pois é tão fácil ultrapassá-las que se quebra o valor mais importante e se torna desrespeito.
   Um exemplo é um episódio de minha infância,quando ganhei uma bola de vôlei e fui a um dos blocos de meu condomínio,para convidar uma amiga a jogar comigo,na quadra.
   Um idoso,ao me ver com a bola,arrancou-a de minhas mãos e gritou comigo,dizendo que não era permitido jogar bola naquele local.De fato,não era!Mas nada dizia que era proibido caminhar segurando uma bola para chamar uma amiga!
   Sem pensar,enquanto o mesmo gritava,arranquei a bola de suas mãos e virei as costas.
   Desisti de ir jogar na quadra e fui para casa.
   Minutos depois,o zelador do condomínio  foi procurar minha família,pois eu havia “desrespeitado a um idoso”.Sim,eu estava parada,segurando uma bola e tocando um interfone para chamar uma amiga,o senhor arrancou a bola de mim e gritou histericamente,mas fui eu quem o desrespeitou ao pegar a bola e ir embora!
   Ali entendi que a sociedade é estranha.
   Sou a favor de que os direitos dos idosos sejam respeitados,como prioridade no atendimento,e lugar garantido para sentar em transportes públicos...entre outros.
   Mas também penso que cabelos brancos não significam sabedoria, nem sempre.
   Acho bonita a idéia de um sábio que muito aprendeu com a vida, passar seus conhecimentos a jovens que ainda não viveram muito, mas já não sei mais se sabedoria depende de quanto uma pessoa já viveu, mas sim do que ela aprendeu, dos erros, dos acertos...
   E,sinceramente,não sei se quero chegar a uma idade em que minha palavra seja lei,estando certa ou errada,a ponto de que eu não precise respeitar as outras pessoas, por ter meu direito de ser respeitada garantido pela Constituição.
   Em minha utopia,nossos bons amigos sapinhos só serão salvos no dia em educação e respeito caminharem juntos, somados a humildade, e as pessoas entenderem que ser realmente educado,é não se aproveitar de condições hierárquicas , localização,idade, ou qualquer regra de etiqueta inventada por essa sociedade tão primitiva em alguns aspectos e perceberem que só não temos duas bocas,para não magoarmos em dobro,quando não sabemos usar o dom da fala,mas temos dois olhos e dois ouvidos para,talvez,olharmos mais o que está acontecendo a nossa volta,e ouvirmos mais o que nos é útil para evoluir...e,quem sabe,falarmos um pouco menos,especialmente se o que temos a dizer,só fará com que as pessoas nos respeitem menos,e percebam que não aprendemos absolutamente nada com a vida.
   Depois de escrever isso...estou pensando se a solução para engolir todos esses sapos,não é aprender com os erros de quem magoa gratuitamente,para,quando chegar a essa idade,ser diferente...ser alguém que aprendeu com a vida,e entendeu que não sou nada além de um ser humano comum,nem melhor,nem pior...e que,talvez,eu não precise me submeter a nenhuma regra tão absurda quanto a mais natural e verdadeira de todas: todos somos iguais,e nada nos assegura o direito de desrespeitar a quem for...nada.Nenhuma condição é eterna.